quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Make my day

Coisas que (pre)enchem os meus dias:

- céu azul pela manhã (à tarde é igualmente bem-vindo)

- ter o metro a chegar quando o vou apanhar.

- ter um lugar vago no mesmo (sovaco ou olfacto de peúga free).

- festas no cabelo.

- não haver fila no MB (e a pessoa antes de mim não ter as contas todas do mês para pagar).

- o telemóvel tocar mesmo quando estava a mexer nele.

- achar as chaves de casa assim que abro a mala.

- chinelos quentes nos pés quando a casa me recebe.

- chocolate quente antes de dormir.

- lençóis acabados de passar.

- uma voz a trautear "Big Mouth" dos Smiths quando acordo.


segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

domingo, 18 de janeiro de 2009

Prémio discrição...

Conversa entre duas personagens surreais no sentido Oriente-Alameda:

Personagem 1: "Epa, tens aí a ganza?"

Personagem 2: "Olha,vê lá se não queres falar mais alto, ninguém te está a ouvir."

Personagem 1: "Epa,já te disse que a perdi, tinha-a mas perdi-a."

Minutos depois...

Personagem 1 (volta à carga): "Epa, e eu aqui aflitinho para urinar e ainda aqui tou."
De notar aqui o emprego do termo correcto para designar a actividade mictória, o que apela, não só ao refinamento da língua como o seu uso se "esbate" no meio da conversa...aqui só 10 pessoas olharam para eles.

E após estarem alguns minutos no metro, e a olhar, colados à porta, à espera para sairem (mesmo quando já estavam na paragem de destino) lá saíram do transporte. Entre fortes ímpetos ao nível da bexiga e frustração pela "ganza" perdida e sem vislumbre de recuperação, pelo menos saíram com espírito de dever cumprido: ser discretos.
Conseguiram: apenas uma carruagem do metro os observou atentamente. Imagine-se lá o que seria se fosse na paragem da estação.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

The best thing...

Tiradas únicas das "minhas" crianças:

Part I - Numerais ordinais.

Eu: "(...) e a Matilde não vem mais às aulas, é?

Gonçalo: "Não, ela vem, vem é só às 5as, 6as e 7as."



Part II - "Pandemia".

Hugo: "Ó professora, tás com bebé?"

Eu: "Não, porquê? é da blusa, é?"

Hugo: "Não, é porque a minha outra professora está".

P.s. A Carolina tem seis anos. Primeiro ano do ensino básico. Tudo muito certinho, como convém. Carolina tem a altura certa, rosto bonito, o peso regular. Carolina não fala. Carolina não apresenta qualquer problema ao nível do aparelho fonador.
A Carolina compreende tudo o que se lhe diz, não tem um défice "cognitivo" como tanto se apraz dizer nos tempos que correm. Nada a impede de falar. A não ser ela própria.
Carolina fala apenas com a mãe, o pai, e os avôs.
O silêncio é de ouro, dizem...
Ontem a avó da Carolina veio ter comigo: "Tem um minuto?"
Todos, até porque há uma voz que fala pela Carolina.
Diz-me que se desconhece a causa deste silêncio auto-infligido, procurado.
Fico a saber (porque em casa fala com todas as letras) que gosta da escola, de todas as disciplinas, que adora inglês e que a professora de inglês a compreende.
Peito inchado, preocupação pelo meio, sorriso posto.
Cá fico à espera da voz, que rompa os compassos do silêncio.
Aguardo pacientemente, até porque as palavras não têm tempo.


sábado, 10 de janeiro de 2009

Silhuetas

Hoje estava a (tentar) sair do metro, ali para os lados da Alameda, quando no ritualístico afã de desmobilização do transporte, uma passageira apercebendo-se que o seu conjûge não me viu e que a sua mala iria colidir comigo, alerta-o para tal facto enunciando a seguinte frase:”olha, tem cuidado com a pessoa”.
Não foi um “cuidado com a senhora” (que até agradeço visto que apesar da carga respeitosa que pesa sobre o termo, nunca me faz sentir confortável, remetendo-me para alguém cuja a idade se sobrepõe em algumas décadas à minha) ou até um tout court “cuidado com a mulher” (que, neste caso, traduz uma forma “despachada, rápida e global de identificação) ou até o doce e pueril “cuidado com a menina”que aquando da minha tenra adolescência era encarado como forma de infantilização, agora é sempre bem-vindo.
Tornei-me (tornamo-nos) tão simplesmente “pessoas”. Porquê a admiração? Não se trata de um registo de língua descuidado ou infame, não é ofensivo e, no entanto, fez-me sentir (ainda mais) pequena. “Pessoa”, usado naquele contexto, enunciado daquela forma distanciou-me, eclipou-se enquanto presença física naquele espaço.
Desapareci, desaparecemos (?) à frente dos Outros em tempo real, in loco (update dos comportamentos do “ciber-espaço “em que apagamos, bloqueamos, eliminamos “contactos” quando a sua presença nos fere ou não nos apraz) e, muitas das vezes, creio até que para os outros nem lá estamos.
Entregues ao vórtice do tempo, da rotina, presos aos tentáculos que criamos, vamos eliminando até expressões, palavras que nos aproximam dos Outros, nos despertem do torpor da lista do supermercado, da roupa a secar na corda ou do lanche das crianças. Palavras que nos humanizam. Marcha rápida desenhada nas linhas do quotidiano, esboço que vamos fazendo até que sejamos apenas silhueta (?).


Vanessa Limpo

in "Expresso SemMais", edição de 10 de Janeiro de 2009

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Não, não sou a única, não sou a única a olhar o céu

E é, concerteza verdade. Hoje estamos todos de cabeça não na mas para a Lua, visto que as leis de Anthímio de Azevedo, ou Gandalf da metereologia, prevêem a queda de neve para esta noite.
E pois que estamos todos de mãos dadas à espera de floquinho do bom, aquele neve-farinha (mas Maizena que Cérelac é enjoativa) que nos faz estar mais colados à janela que um miúdo em véspera de Natal.
Se nevar hoje, as Boas Festas, para mim seriam agora. Caso até para me fazer acreditar que o Pai Natal existe.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

O poder da aderência

Cada dia confirmo mais a ideia que ligar o televisor é uma aventura (já dizia a Micaela há cerca de 10 anos, mais coisa menos coisa, troca o passo, que o melhor era desligar-se o televisor, que mais bonito era fazer-se o amor, ninguém lhe ligou e agora isto está pela hora da morte, é o que é).
Esta aventura passa pela nossa capacidade de resistência aos sucessivos exercícios de atentado à língua portuguesa. Isto não são já pontapés na gramática, não. Resvalou já há muito para kickboxing e do bom, ou tiros à queima-roupa ao nosso querido português.
E mais uma vez a Sic leva uma menção honrosa neste departamento pois consegue como mais ninguém (mas também dado que não vejo a TVI por motivos que vão dp puro bom-gosto até à má recepção do canal, não posso falar por todos os canais) seleccionar os maiores homicidas da língua de Camões (que se ouvisse o que eu hoje ouvi não estaria a dar voltas mas a fazer skydiving no túmulo).
Ora hoje estava-se em plena reportagem numa farmácia da capital a questionar a farmacêutica de serviço sobre a natureza dos medicamentos com maior saída (uma espécie de discos pedidos na rádio mas aqui em versão Ilvico) ao que a sra dra farmacêutica licenciada responde algo deste género: "Bom, os medicamentos com maior aderência são os que estão ligados à gripe e constipações".
Das duas uma: ou a dita sra qual Peter Parker foi mordida ainda menina e moça por uma aranha radioactiva ou fez o curso na Independente ou então não sabe falar e mais valia era estar em casa, "sossogadita", ou a pôr a roupa a secar que hoje até está para o fresco e seca-se que é uma maravilha.
E já agora, só por prevenção, antes de ir à janela ver dos boxers e das termotebes (o meu pai tem uma) tome um"Antigrippine", é que segundo consta tem uma óptima aderência.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

"Nós por cá"

Jornal da Sic hoje, o ministro Teixeira dos Santos fala sobre a actual recessão económica: "Cada vez mais somos confrotados com um clima de recessão mundial e europeia".

Que giro, não fazia a menor ideia que o Mundo e a Europa são duas entidades totalmente desligadas uma da outra. Como diria o "Tio Herlander" nos seus bons tempos: "ha ha ha...não sabia".

The gods must be crazy

No mesmo dia oiço duas coisas no mínimo inquietantes que me fazem pensar: Mas afinal andam todos doidos? ensandecidos? varridos de tanta loucura...está tudo malade de la tête, só pode...
Não só fico a saber que há "Hi5s" de animais de estimação, com direito a comments, fotos, fives, etc (os felinos pelos vistos estão na top list) como ainda ouvi nas notícias dar-se destaque à morte do gato do ainda Presidente Bush...como diria o outro, que habitava algures num castelo da Dinamarca, "something's very rotten"...
Citando esse grande "filósfo" dos tempos modernos..."e o burro sou eu?".

P.s. Happy 2009 e tal e coiso.

domingo, 21 de dezembro de 2008

All I want for Xmas is...everything

Estava outro dia numa aula junto das minhas crianças (não sendo minhas na verdadeira acepção do termo, sob minha “égide” estão durante 45 minutos dos seus dias).
Sendo o Natal o coração das suas expectativas nesta época, a lista de presentes estava na ordem do dia (e, da noite, madrugada, e afins pois se testes se fizessem aos seus cérebros, creio que os presentes ocupariam pelo menos 90% da sua memória total). À pergunta “qual é a prenda que mais queres este Natal?”, a resposta veio, sem já grande surpresa (que isto quando não se é “marinheiro de primeira viagem” nestas lides não traz estupefacção) que queriam no mínimo três “grandes” presentes, sendo que o adjectivo está associado não ao tamanho mas ao preço das oferendas.
Entre Nintendos, que segundo apurei estão na ordem dos quase 200 euros, a Princesas (colecção inteira ou a alegria da criança de volta) passando pelas –ainda- tradicionais bicicletas, Barbies ou PSP (que com tantas novas “gerações” que por aí pululam já me perdi se são “2” ou “3” e os especialistas que me perdoem se já houver uma “4” que esta minha pobre mente can’t keep up).
Oferecer presentes ás nossas crianças constitui uma verdadeira aventura, que começa desde logo pelo obrigatório update lnguístico a que temos de nos sujeitar, desde saber PSP não é polícia de segurança pública) ou que Winx designa um conjunto de bonecas que são bruxas, e como é óbvio em quarto onde cabe uma bruxa cabem logo duas ou três.
Após esta fase, vem a dor de cabeça da triagem que acompanhada pelo doce riso da criança que geralmente traz a caderneta da escola com as boas notas, deixa de ser triagem para passar a ser tudo o que foi pedido e como “a miúda até se porta bem” e o subsídio já veio, pronto, lá se faz o gosto ao cartão.
Tudo isto numa óptica de suposta magia, envolta em ambiente embrulhado a filhós, sonhos e rabanadas, regado com umas horas em família e claro, muitos presentes. Mas, caramba, o Natal é quando um Homem quiser e em Dezembro é, basicamente, todos os dias. Uma vez por ano, até ao Natal…seguinte.

Vanessa Limpo

in "Expresso SemMais", edição de 20 de Dezembro de 2008



domingo, 7 de dezembro de 2008

Pelos cabelos

Já aqui referi algumas das minhas eternas dúvidas existenciais, problemáticas que me assolam de forma continuada e que creio poderem também perturbar a si caríssimo/a leitor/a.
Ora, hoje lanço aqui outra dúvida que há muito me acompanha, algo que ao fim de três décadas de existência ainda não consegui resolver.
Se aqui há uns meses falei da “pandemia” de designar “Pérola” a tantas pastelarias espalhadas por este nosso Portugal, desta feita pergunto-me por que é que grande parte dos nossos cabeleireiros têm o nome “Cristina” ou, na sua forma petit-nom, “Tina” ou “Tinita”. Sei que o leitor poderá desde já dizer que o nome do estabelecimento designa o nome da sua proprietária e assim penso igualmente, ou, pelo menos, seria o raciocínio mais lógico.
Ora, mas se “Cristina” designa o nome da proprietária, então sou forçada a pensar várias possibilidades, a saber:
a A maioria das cabeleireiras portuguesas chama-se? Cristina
b) A maioria das cabeleireiras portuguesas tem como nome predilecto Cristina, daí baptizar o seu estabelecimento com esse nome.
c) Não se me apresenta qualquer outra hipótese plausível, mas, como nunca vi uma enunciação de hipóteses terminar na aliena b, decidi colocar uma terceira.
Se pensar que estou a hiperbolizar, ou que esta problemática não tem qualquer sentido, esteja atento a um qualquer “day Spa”, “Espaço” ou “Hairstylist” (sim, que agora dizer “cabeleireiro” já não está actualizado e daí pulularem desenfreadamente epítetos destes). Mas a minha aflição não finda aqui. Quando não se chama “Cristina”, o dito estabelecimento terá fortes probabilidades de possuir um destes nomes: “Faty”, “Fatinha”, “Mary”, “Sony” e demais nomes baseados ou em diminutivos carinhosos (o que até terá a sua lógica, visto que não convém tratar mal quem estará durante 1 a 2 horas a tratar-nos do cabelo) ou numa versão anglo-saxónica utilizando o mesmo diminutivo mas com a terminação em “y” (não sei se será porque se crê dar mais estatuto ou se não deixaram mesmo pôr o nome que tanto se pretendia: “Cristina”).
Que se pretenda um nome familiar para um estabelecimento que se quer amistoso, acolhedor e apelativo compreendo, que se goste particularmente de nomes pequenos ou diminutivos também entendo, ultrapassa-me, contudo, é a escolha que pende sempre para os mesmos nomes (salvem-se algumas excepções) num país com tantos cabeleireiros.
Ou as Cristinas nasceram com dotes para tratamentos capilares (o que ainda poderá ser objecto de um qualquer estudo genético que aprofunde esta hipótese), ou então a onomástica capilar precisa ser urgentemente revista.

Vanessa Limpo

In, "Expresso Sem Mais", edição de 06 de Dezembro de 2008