Estou sentada na sala de professores em frente ao pc..tenho mil coisas a tratar, preparar, ler, rever, assinalar, apontar...nunca os verbos no Infinitivo fizeram tanto sentido.
Estou sentada. Sinto-me perdida. Tenho medo. O filme não é de terror. Mas tenho medo. Medo de falhar (o meu medo mais costumeiro) medo de não conseguir. De me atrasar a entregar planficações, planos de actividades, pautas e todos os etcas que come with the territory...
No meio tudo disto as aulas e os alunos...o mais fácil dentro do difícil. Mas é solo conhecido e terreno mais macio onde pouso medos e receios afins numa segurança menos tímida.
São tão jovens, ainda têm os rostos redondos de sonhos e adolescência.
São encarregados de uma educação muito própria, nem sempre linear. Gosto disso.
Sempre me atraiu o que escapa, o que é incomum ou estrangeiro à ordem.
Gosto das gargalhadas, dos olhares de dúvida e do apontar frenético.
A inocência ainda mora ali. Entre roupas de marcas, dois ou três telemóveis per capita, páginas de Hi5 e/ou Facebook sempre actualizades.
Estão ainda entre os LOLS e os já tenros vislumbres de responsabilidade e trabalho.
Estão verdes mas num verde a transmutar-se para arco-íris fecundo de Verão.
Ainda é Verão nas vidas deles. As suas vidas, são ainda (não em todos mas em muitos casos, felizmente) um Verão imenso.
E eu olho-os com a doçura de um olhar um pouco mais Outonal que o deles. E rio com eles. E de, repente, é Verão em mim. LOL.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Ao A.
Hoje quero falar do A. Falo (quase) sempre de meninas.
Hoje o tempo das letras é teu A.
O A. é daquelas pessoas que quando entra numa sala não dá nas vistas ou faz por ser o centro das atenções. Ele É, naquele e em todos os momentos em que se cruza com os Outros, o centro, a raiz de qualquer sala.
Sobretudo das salas que moram nos nossos corações.
O A, tem a capacidade de conciliar, agregar em e para si pessoas das mais diferentes origens, credos, etnias, orientações, gostos ou opiniões.
Quando o A. (nos) chama, nós vamos. E vamos conjungando o verbo "ir" em todos os tempos...fomos no passado pô-lo ao aeroporto quando foi para a terra das geishas, fomos quando voltou por uns tempos, fomos quando partiu de novo.
Voltámos a ir quando voltou agora. E a ti vamos, regressamos todas as vezes que nos "mandares". Não mandas, que não és arrogante. Nem pedes, no fundo, pois para nós é natural sabermos que nos queres contigo. Estando tu em que parte do globo estiveres.
Mas a parte onde mais estás é bem perto...é em nós.
Cá dentro.
O A. é daquelas pessoas que me (nos) faz esquecer qualquer partícula de tristeza que tenhamos. E quando esse mal custa a esquecer, ele vem e ouve. E nós falamos e nesse momento ele transmuta-se e torna-se Conforto.
Não posso dizer isto de muitas pessoas. Apesar de parecer que gosto de muitas pessoas. Tenho é o privilégio do talento para a escolha das amizades como já aqui escrevi. Mas de qualquer forma, o A. não é qualquer um...
E apesar de ser Um, ele é tanta gente em simultâneo. Congrega tanta luz em si que sabe ser filho, neto, amigo, vizinho, professor, colega. E professor que é, passa sempre com louvor e distinção.
E o que mais me encanta é que não o faz conscientemente.
E essa é, a meu ver, a essência da Bondade: altruísmo puro. Dar-se, ouvir e estar pelo prazer genuíno que tem em estar-se com os Outros.
É forte. Nunca lhe disse como o admiro. Faço-o agora pois o Afecto não tem hora marcada. Admiro a sua coragem de partir, de largar convenções e confortos adquiridos. Admiro a sua busca incessante em Conhecer, Ver, Viajar. Mudar.
Não hesita. Mesmo que assustado (que não o dirá) parte pois a voz que ouve é a que está dentro da sua Convicção, e a ela tem de obedecer.
O A. é impulsivo, ri e traz gargalhadas em todas as cores do arco-íris para nós.
Não é trocista. Tem muito cuidado com os sentimentos dos outros porque sabe que não há mais digno de respeito que a individualidade de cada um.
Sensível, doce, franco, frontal (não hesita em dar um grito ou uma "wake up call") quando assim tem de ser. Se não concorda terá de o dizer. E se o diz é porque se preocupa e não o inverso. E a nós cabe-nos aceitar porque somos seus amigos.
O A. não tem bom coração, é um bom coração com uma pessoa (linda) à volta.
E, por isso, hoje aqui, sentada entre o computador e uma noite de Outono breve, deste lado castiço da cidade, oiço, como que ao compasso de uma canção da tua Tininha, o pulsar suave do teu coração.
Que tem a sorte de vir abraçado a ti.
Hoje o tempo das letras é teu A.
O A. é daquelas pessoas que quando entra numa sala não dá nas vistas ou faz por ser o centro das atenções. Ele É, naquele e em todos os momentos em que se cruza com os Outros, o centro, a raiz de qualquer sala.
Sobretudo das salas que moram nos nossos corações.
O A, tem a capacidade de conciliar, agregar em e para si pessoas das mais diferentes origens, credos, etnias, orientações, gostos ou opiniões.
Quando o A. (nos) chama, nós vamos. E vamos conjungando o verbo "ir" em todos os tempos...fomos no passado pô-lo ao aeroporto quando foi para a terra das geishas, fomos quando voltou por uns tempos, fomos quando partiu de novo.
Voltámos a ir quando voltou agora. E a ti vamos, regressamos todas as vezes que nos "mandares". Não mandas, que não és arrogante. Nem pedes, no fundo, pois para nós é natural sabermos que nos queres contigo. Estando tu em que parte do globo estiveres.
Mas a parte onde mais estás é bem perto...é em nós.
Cá dentro.
O A. é daquelas pessoas que me (nos) faz esquecer qualquer partícula de tristeza que tenhamos. E quando esse mal custa a esquecer, ele vem e ouve. E nós falamos e nesse momento ele transmuta-se e torna-se Conforto.
Não posso dizer isto de muitas pessoas. Apesar de parecer que gosto de muitas pessoas. Tenho é o privilégio do talento para a escolha das amizades como já aqui escrevi. Mas de qualquer forma, o A. não é qualquer um...
E apesar de ser Um, ele é tanta gente em simultâneo. Congrega tanta luz em si que sabe ser filho, neto, amigo, vizinho, professor, colega. E professor que é, passa sempre com louvor e distinção.
E o que mais me encanta é que não o faz conscientemente.
E essa é, a meu ver, a essência da Bondade: altruísmo puro. Dar-se, ouvir e estar pelo prazer genuíno que tem em estar-se com os Outros.
É forte. Nunca lhe disse como o admiro. Faço-o agora pois o Afecto não tem hora marcada. Admiro a sua coragem de partir, de largar convenções e confortos adquiridos. Admiro a sua busca incessante em Conhecer, Ver, Viajar. Mudar.
Não hesita. Mesmo que assustado (que não o dirá) parte pois a voz que ouve é a que está dentro da sua Convicção, e a ela tem de obedecer.
O A. é impulsivo, ri e traz gargalhadas em todas as cores do arco-íris para nós.
Não é trocista. Tem muito cuidado com os sentimentos dos outros porque sabe que não há mais digno de respeito que a individualidade de cada um.
Sensível, doce, franco, frontal (não hesita em dar um grito ou uma "wake up call") quando assim tem de ser. Se não concorda terá de o dizer. E se o diz é porque se preocupa e não o inverso. E a nós cabe-nos aceitar porque somos seus amigos.
O A. não tem bom coração, é um bom coração com uma pessoa (linda) à volta.
E, por isso, hoje aqui, sentada entre o computador e uma noite de Outono breve, deste lado castiço da cidade, oiço, como que ao compasso de uma canção da tua Tininha, o pulsar suave do teu coração.
Que tem a sorte de vir abraçado a ti.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Não mais que dezasseis anos...
Ela estava sentada à espera do metro. Não tinha mais de quinze ou dezasseis anos. Olhei para ela porque chorava.
Era jovem. Não mais que dezasseis anos. E chorava.
Chorava daquela forma de quem se entrega à dor, se esvazia de si e a água do seu peito tinha de sair. Não havia outro escape. Outra solução. Outro Norte.
Ela desaguava dor. Não mais que dezasseis anos.
Entrou no metro. Continuava a chorar. Sem controlar em contenção, sem conseguir parar. Estava em pé, cabeça baixa, eixo certo para a lágrima correr. Não olhava em volta. Quase ninguém deu por isso.
Não mais que dezasseis anos.
Senta-se de seguida, como que a procurar a melhor posição para a dor (quem disse que era deitada?). Ela sabe -tenro peito dos seus dezassesis anos- que quando dói, não estando parada, acalma o ardor que corre lá dentro. Lá no âmago de si onde a Dor se centra, lançado os seus tentáculos corpo fora, peito fora, rosto fora.
Ela chorava, copiosamente, sentada, envergonhada. Não mais que 16 anos.
Ela sabe já o quanto a Dor dói. Levanta o rosto para ver se no meio desse desaguamento de si para fora, se não se enganou na estação de metro. Quis saber se o ritmo do seu descontrole não se descompassou com o rolar dos carris.
Não. Ainda não era a sua paragem. Baixa a cabeça. Volta a chorar. Pára um pouco e volta, quando lá dentro percebe que é irremediável, embora ainda não acredite que está a acontecer. Dilúvio de si, de novo.
Sai do metro. Estação Alameda. Sei porque saí atrás dela, segui-lhe os passos. Pelo menos até saber que iria chegar à superfície e que a multidão da cidade a protegeria. De si mesma.
Lá ela seria apenas uma miúda cheia de pressa a olhar para o chão. E aí sim, sob a luz lá fora, cheia de cadernos e livros a envolver-lhe os braços e pesar, choraria à vontade. Afinal ninguém vê.
Não tinha mais que dezasseis anos.
Era jovem. Não mais que dezasseis anos. E chorava.
Chorava daquela forma de quem se entrega à dor, se esvazia de si e a água do seu peito tinha de sair. Não havia outro escape. Outra solução. Outro Norte.
Ela desaguava dor. Não mais que dezasseis anos.
Entrou no metro. Continuava a chorar. Sem controlar em contenção, sem conseguir parar. Estava em pé, cabeça baixa, eixo certo para a lágrima correr. Não olhava em volta. Quase ninguém deu por isso.
Não mais que dezasseis anos.
Senta-se de seguida, como que a procurar a melhor posição para a dor (quem disse que era deitada?). Ela sabe -tenro peito dos seus dezassesis anos- que quando dói, não estando parada, acalma o ardor que corre lá dentro. Lá no âmago de si onde a Dor se centra, lançado os seus tentáculos corpo fora, peito fora, rosto fora.
Ela chorava, copiosamente, sentada, envergonhada. Não mais que 16 anos.
Ela sabe já o quanto a Dor dói. Levanta o rosto para ver se no meio desse desaguamento de si para fora, se não se enganou na estação de metro. Quis saber se o ritmo do seu descontrole não se descompassou com o rolar dos carris.
Não. Ainda não era a sua paragem. Baixa a cabeça. Volta a chorar. Pára um pouco e volta, quando lá dentro percebe que é irremediável, embora ainda não acredite que está a acontecer. Dilúvio de si, de novo.
Sai do metro. Estação Alameda. Sei porque saí atrás dela, segui-lhe os passos. Pelo menos até saber que iria chegar à superfície e que a multidão da cidade a protegeria. De si mesma.
Lá ela seria apenas uma miúda cheia de pressa a olhar para o chão. E aí sim, sob a luz lá fora, cheia de cadernos e livros a envolver-lhe os braços e pesar, choraria à vontade. Afinal ninguém vê.
Não tinha mais que dezasseis anos.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
O que se sente por aqui...
"só eu sei
só eu sei que sou terra
terra agreste por lavrar
silvestre monte maninho
amora fruto sem tratar
só eu sei que sou pedra
sou pedra dura de talhar
sou joga pedrada em aro
calhau sem forma de engastar
a cotação é o que quiserem dar
não tenho jeito para regatear
também não sei se eu a quero aumentar
porque eu não sei
porque eu não sei se me quero polir
também não sei se me quero limar
também não sei se quero fugir
deste animal
que anda a procurar
só eu sei que sou erva
erva daninha a alastrar
joio trovisco ameaça
das ervas doces de enjoar
só eu sei que sou barro
difícil de se moldar
argila com cimento e saibro
nem qualquer sabe trabalhar
em moldes feitos não me sei criar
em formas feitas podem-se quebrar
também não sei se me quero formar
porque eu não sei
porque eu não sei se me quero polir
também não sei se me quero limar
também não sei se quero fugir
deste animal
que anda a procurar"
António Variações
P.S. Confesso que surripiei ao blog da A. pois queria tanto ter a letra aqui.
A, sou uma "gatuna" de posts, sorry.
só eu sei que sou terra
terra agreste por lavrar
silvestre monte maninho
amora fruto sem tratar
só eu sei que sou pedra
sou pedra dura de talhar
sou joga pedrada em aro
calhau sem forma de engastar
a cotação é o que quiserem dar
não tenho jeito para regatear
também não sei se eu a quero aumentar
porque eu não sei
porque eu não sei se me quero polir
também não sei se me quero limar
também não sei se quero fugir
deste animal
que anda a procurar
só eu sei que sou erva
erva daninha a alastrar
joio trovisco ameaça
das ervas doces de enjoar
só eu sei que sou barro
difícil de se moldar
argila com cimento e saibro
nem qualquer sabe trabalhar
em moldes feitos não me sei criar
em formas feitas podem-se quebrar
também não sei se me quero formar
porque eu não sei
porque eu não sei se me quero polir
também não sei se me quero limar
também não sei se quero fugir
deste animal
que anda a procurar"
António Variações
P.S. Confesso que surripiei ao blog da A. pois queria tanto ter a letra aqui.
A, sou uma "gatuna" de posts, sorry.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
10 things I love about the countryside...
- Poder dizer "Bom dia" e ainda ganhar o bónus de receber um de volta.
- A serra do Colcurinho pela manhã.
- A água do Alva a correr até (quase) me adormecer.
- O som característico da carrinha "Family Frost".
- O sino no campanário a lembrar que já é mais que dia.
- Ser a "vizinha" e "prima" de toda a gente.
- Perguntarem-me a quem "pertenço".
- Os bolos que saem do forno e o sabor da carne grelhada na brasa.
- Os meus pés em cima dos do meu avô no sofá.
- A serra do Colcurinho pela manhã.
- A água do Alva a correr até (quase) me adormecer.
- O som característico da carrinha "Family Frost".
- O sino no campanário a lembrar que já é mais que dia.
- Ser a "vizinha" e "prima" de toda a gente.
- Perguntarem-me a quem "pertenço".
- Os bolos que saem do forno e o sabor da carne grelhada na brasa.
- Os meus pés em cima dos do meu avô no sofá.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
"New Emigra"
Com o Verão vêm as férias e agora que estamos no pico de Agosto com ele vem um espécimen que nunca está em vias de extinção, a saber: o “emigrante” ou em português corrente, o “emigra”.
Ora o “emigra” caracteriza-se por uma série de características da nossa mentalidade e cultura que se materializam nesse ser único e cada vez menos raro (crise oblige).
O “emigra” do anos 60/70 era conhecido por incorporar toda uma série de esterótipos que associamos ao Português mediano: o bigode de quase 1,5m com uma espessura respeitosa que dava para aquecer os mais friorentos nas noites frescas de Agosto. Albergava em si uma massa gorda que bem partidinha às postas dava para alimentar Somália e meia e não resistia a ir comemorar o seu regresso à Pátria mãe com idas às feiras, romarias, procissões e bailaricos de aldeia. Tudo muito bem regado com vinho tinto e uns quantos quilos de couratos. Emigrava porque em Portugal as condições de vida não lhe permitiam sustentar a sua “Maria” e os seus 3 a 4 filhos.
Hoje o “emigra” é diferente. Caracteriza-se por ser jovem, geralmente na casa dos vinte ou trinta e poucos. É licenciado, casou-se há pouco tempo, ou ainda é solteiro e como tirou um curso que basicamente não lhe trará qualquer perspectiva de futuro ou estabilidade (mesmo que seja aquilo que sempre sonhou fazer) económica, emigra não para melhorar a sua qualidade de vida mas para tentar tê-la.
O seu projecto de vida não passa por trabalhar na Suíça (por exemplo) durante 20 ou 30 anos e depois voltar a seu lugarejo natal e construir uma vivenda de 7 ou 8 quartos, com jardim e garagem para o seu Audi ou Mercedes e ainda com um telhado de telha preta (porque como toda a gente sabe cá em Portugal no Algarve neva muito de Inverno). O “NE” (new emigra) sabe que o seu futuro passa por continuar lá no “estrangeiro” se quiser continuar a completar a sua nova dentição a preços de amigos, ou a ver o seu filho nascer num hospital em que não façam a sua mulher sofrer 48 horas antes de a levar para uma cesariana.
Sim o “NE” sabe com o que pode contar lá mas sobretudo tem consciência do que não poderá contar se voltar para cá. Se é um “pária” por isso? Se não gosta do seu país? Claro que não. Até porque a língua, a comida, o clima e a hospitabilidade portuguesas são únicas. Apenas sabe que apesar de viver perto da neve e das renas, o “Pai Natal” não existe.
Vanessa Limpo
in "Expresso Sem Mais", ediçao de 29 de Agosto de 2009.
Ora o “emigra” caracteriza-se por uma série de características da nossa mentalidade e cultura que se materializam nesse ser único e cada vez menos raro (crise oblige).
O “emigra” do anos 60/70 era conhecido por incorporar toda uma série de esterótipos que associamos ao Português mediano: o bigode de quase 1,5m com uma espessura respeitosa que dava para aquecer os mais friorentos nas noites frescas de Agosto. Albergava em si uma massa gorda que bem partidinha às postas dava para alimentar Somália e meia e não resistia a ir comemorar o seu regresso à Pátria mãe com idas às feiras, romarias, procissões e bailaricos de aldeia. Tudo muito bem regado com vinho tinto e uns quantos quilos de couratos. Emigrava porque em Portugal as condições de vida não lhe permitiam sustentar a sua “Maria” e os seus 3 a 4 filhos.
Hoje o “emigra” é diferente. Caracteriza-se por ser jovem, geralmente na casa dos vinte ou trinta e poucos. É licenciado, casou-se há pouco tempo, ou ainda é solteiro e como tirou um curso que basicamente não lhe trará qualquer perspectiva de futuro ou estabilidade (mesmo que seja aquilo que sempre sonhou fazer) económica, emigra não para melhorar a sua qualidade de vida mas para tentar tê-la.
O seu projecto de vida não passa por trabalhar na Suíça (por exemplo) durante 20 ou 30 anos e depois voltar a seu lugarejo natal e construir uma vivenda de 7 ou 8 quartos, com jardim e garagem para o seu Audi ou Mercedes e ainda com um telhado de telha preta (porque como toda a gente sabe cá em Portugal no Algarve neva muito de Inverno). O “NE” (new emigra) sabe que o seu futuro passa por continuar lá no “estrangeiro” se quiser continuar a completar a sua nova dentição a preços de amigos, ou a ver o seu filho nascer num hospital em que não façam a sua mulher sofrer 48 horas antes de a levar para uma cesariana.
Sim o “NE” sabe com o que pode contar lá mas sobretudo tem consciência do que não poderá contar se voltar para cá. Se é um “pária” por isso? Se não gosta do seu país? Claro que não. Até porque a língua, a comida, o clima e a hospitabilidade portuguesas são únicas. Apenas sabe que apesar de viver perto da neve e das renas, o “Pai Natal” não existe.
Vanessa Limpo
in "Expresso Sem Mais", ediçao de 29 de Agosto de 2009.
domingo, 30 de agosto de 2009
O que se ouve por aqui...
I'm a fountain of blood
in the shape of a girl
you're the bird on the brim hypnotized by the whirl
drink me - make me feel real
wet your beak in the stream
game we're playing is life
love is a two way dream
leave me now - return tonight
the tide will show you the way
if you forget my name
you will go astray
like a killer whale
trapped in a bay
I'm a path of cinders
burning under your feet
you're the one who walks me
I'm your one way street
I'm a whisper in water
a secret for you to hear
you are the one who grows distant
when i beckon you near
leave me now - return tonight
the tide will show you the way
if you forget my name, you will go astray
like a killer whale trapped in a bay
I'm a tree that grows hearts
one for each that you take
you're the intruders hands
I'm the branch that you break
Do album Homogenic, Bjork, 1997.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Cheirinho a podre...
Ultraje: ontem ao ver mais um episódio da maravilhosa série Dexter, não é que detecto um erro de tradução como: "ao pé do Kin" para a expressão inglesa "the next of kin"???
Mais, isto anda tão mau para os lados daquele/a tradutor/a que nem o português escapa, assim escreve-se "trás" como imperativo do verbo "trazer"!
Something's very rotten in the state of "Translatingland"*...(*neologismo perfeitamente assumido, nada de confusões).
Mais, isto anda tão mau para os lados daquele/a tradutor/a que nem o português escapa, assim escreve-se "trás" como imperativo do verbo "trazer"!
Something's very rotten in the state of "Translatingland"*...(*neologismo perfeitamente assumido, nada de confusões).
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Uma escalada por dia nem sabe o bem que lhe fazia...
Então e não é que as escadas rolantes do metro da Baixa-Chiado continuam sem funcionar ao fim de quase duas semanas nesse triste estado? E ainda por cima afecta logo as escadas no sentido da subida (está bem que umas da descida também estão "mortas" mas como diz o velho adágio "A descer todos os santos ajudam").
Cerca de duas semanas assim... António Costa, seu maroto! Sabe que costumo ir ao ginásio ali perto e então a escalada a pé até à superfície é para servir como "aquecimento" ao aquecimento que precede qualquer treino.
Então é isso: excesso de zelo? Hein? Pois, bem me parecia. Tanto que é feito a pensar em mim e e todos os simpáticos lisboetas, e como se diz, ah já sei, eleitores que precisam de igual "aquecimento" para irem às suas vidas.
Nada melhor que subir filas de escadas rolantes às 7h e tal da manhã quando se está com pressa para ir trabalhar...umas 8 a 10 ou 12 horitas...coisita pouca...
Está então a querer promover o exercício físico, baluarte de uma vida saudável.
Subir e descer escadas é a solução...isto porque comprar "Actimel" para estar protegido contra as maelitas está caro e o bifidus activo anda pela hora da morte...
Ai ai ai e eu a pensar que era pura negligência. E eu que até simpatizo consigo...
Menino Costinha, já lhe tenho dito que não é bonito andar-nos a enganar...
Cerca de duas semanas assim... António Costa, seu maroto! Sabe que costumo ir ao ginásio ali perto e então a escalada a pé até à superfície é para servir como "aquecimento" ao aquecimento que precede qualquer treino.
Então é isso: excesso de zelo? Hein? Pois, bem me parecia. Tanto que é feito a pensar em mim e e todos os simpáticos lisboetas, e como se diz, ah já sei, eleitores que precisam de igual "aquecimento" para irem às suas vidas.
Nada melhor que subir filas de escadas rolantes às 7h e tal da manhã quando se está com pressa para ir trabalhar...umas 8 a 10 ou 12 horitas...coisita pouca...
Está então a querer promover o exercício físico, baluarte de uma vida saudável.
Subir e descer escadas é a solução...isto porque comprar "Actimel" para estar protegido contra as maelitas está caro e o bifidus activo anda pela hora da morte...
Ai ai ai e eu a pensar que era pura negligência. E eu que até simpatizo consigo...
Menino Costinha, já lhe tenho dito que não é bonito andar-nos a enganar...
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Geração Caroço
A apresentadora Carolina Patrocínio (para os mais incautos é a apresentadora daquele programa de vídeos que conta igualmente com a presença de Pedro Miguel Ramos) e ex-apresentadora do Disney Kids, veio a público, numa entrevista, dizer, entre outras coisas, que não gosta de fruta com caroços (gostava de saber quem gosta, mas adiante) e como tal, só a come depois da sua empregirar.
Detectou aqui algo que não lhe caiu bem, não foi bem? E não foi o caroço da fruta.
Esta jovem, que é mandatária da JS, que conta com 22 anos de idade, vem a público dizer o que qualquer um teria vergonha de sequer de pensar, quanto mais de verbalizar.
Isto é revelador nao só do estado da sua massa encefálica (muita vitamina, muito livro e estudo sim, querida?). E pior, do contexto em que foi criada/educada.
Acho incrível como uma mulher feita (?) pode afirmar que tem alguém, que por acaso até se encontra numa condição laboral inferior à sua, que lhe tira caroços da fruta.
Isto é revelador não só da (falta) de educação de valores que lhe foi transmitida, e é sintomático também de todo o retrato de uma nova geração que, de facto, se pode chamar a"geração que não faz a ponta de 1 caroço".
O problema é exclusivo desta menina bem. No caso dela, sabemos que vem de famílias muito bem colocadas na dita sociedade, que nunca lhe faltou dinheiro, que já viajou por meio mundo à borla.
Ninguém tem culpa de ter nascido rica/o. E é natural que se aproveitem as (boas) oportunidades que avultadas somas monetárias nos dão. Seria hipócrita negá-lo e eu se fosse rica não ficava em casa a contar os mosaicos do chão.
O que me espanta é este despudor, esta descontracção em dar a conhecer algo de que se deveria ter vergonha. Uma mulher que não sabe tirar 1 caroço? Ou pior, que não está para isso??? Não está porque sabe que tem quem o faça por ela.
Assim é a "Geração Caroço": nasce, cresce, vai-se desenvolvendo à sombra dos caroços de bananeiras que possui. Não fazem a cama, não põem a mesa, não vão deitar o lixo á rua, não fazem ideia a quanto está o pão porque nunca puseram os pés numa padaria ou supermercado.
Não sabem, muitas vezes, quanto dinheiro têm. Isto para os meninos ricos. Para os outros, os filhos da classe média (os mais comuns) gastam o dinheiro dos cartões Multibanco que os pais lhe dão, arrasam o saldo dos telemóveis que lhes são oferecidos mesmo que tenham 8 ou 9 negativas e esturricam a mesada nos Fóruns e Dolces desta vida...
A culpa? já sabemos de quem é? O que irá ser feito? espero que muito e para melhor.
Quanto a mim, se um dia for mãe, volto a fazer o pedido que costumo fazer se me virem a tirar 1 caroço de um pêssego a um filho se este já tiver mais que idade para o fazer: dêem-me uma valente chapada para ver se acordo. Para a vida e para a vergonha que é muito bonita e vem ao preço da uva (daquela que se sabe).
Uva com grainha. Da boa. Com caroços. Que a fruta, como a Vida, serve-se fresca e com caroço.
Detectou aqui algo que não lhe caiu bem, não foi bem? E não foi o caroço da fruta.
Esta jovem, que é mandatária da JS, que conta com 22 anos de idade, vem a público dizer o que qualquer um teria vergonha de sequer de pensar, quanto mais de verbalizar.
Isto é revelador nao só do estado da sua massa encefálica (muita vitamina, muito livro e estudo sim, querida?). E pior, do contexto em que foi criada/educada.
Acho incrível como uma mulher feita (?) pode afirmar que tem alguém, que por acaso até se encontra numa condição laboral inferior à sua, que lhe tira caroços da fruta.
Isto é revelador não só da (falta) de educação de valores que lhe foi transmitida, e é sintomático também de todo o retrato de uma nova geração que, de facto, se pode chamar a"geração que não faz a ponta de 1 caroço".
O problema é exclusivo desta menina bem. No caso dela, sabemos que vem de famílias muito bem colocadas na dita sociedade, que nunca lhe faltou dinheiro, que já viajou por meio mundo à borla.
Ninguém tem culpa de ter nascido rica/o. E é natural que se aproveitem as (boas) oportunidades que avultadas somas monetárias nos dão. Seria hipócrita negá-lo e eu se fosse rica não ficava em casa a contar os mosaicos do chão.
O que me espanta é este despudor, esta descontracção em dar a conhecer algo de que se deveria ter vergonha. Uma mulher que não sabe tirar 1 caroço? Ou pior, que não está para isso??? Não está porque sabe que tem quem o faça por ela.
Assim é a "Geração Caroço": nasce, cresce, vai-se desenvolvendo à sombra dos caroços de bananeiras que possui. Não fazem a cama, não põem a mesa, não vão deitar o lixo á rua, não fazem ideia a quanto está o pão porque nunca puseram os pés numa padaria ou supermercado.
Não sabem, muitas vezes, quanto dinheiro têm. Isto para os meninos ricos. Para os outros, os filhos da classe média (os mais comuns) gastam o dinheiro dos cartões Multibanco que os pais lhe dão, arrasam o saldo dos telemóveis que lhes são oferecidos mesmo que tenham 8 ou 9 negativas e esturricam a mesada nos Fóruns e Dolces desta vida...
A culpa? já sabemos de quem é? O que irá ser feito? espero que muito e para melhor.
Quanto a mim, se um dia for mãe, volto a fazer o pedido que costumo fazer se me virem a tirar 1 caroço de um pêssego a um filho se este já tiver mais que idade para o fazer: dêem-me uma valente chapada para ver se acordo. Para a vida e para a vergonha que é muito bonita e vem ao preço da uva (daquela que se sabe).
Uva com grainha. Da boa. Com caroços. Que a fruta, como a Vida, serve-se fresca e com caroço.
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Sakerinhas e sushi

(Imagem, fonte: Google imagens)
Pois que algum dia havia de ser o primeiro e apesar de já ter "petiscado" alguma coisa da comida japonesa, hoje tive direito ao "whole bunch" e não é que amei?
Não me perguntem o nome daquilo que comi - tirando o sushi de atum e salmão que a-do-rei, claro! sei que a comida não párava de vir, eu não paráva de comer e não é que estou a esta hora ainda cheia??
Como te entendo agora meu querido "Angelino Joli"...aquilo parece pouco mas tudo junto cá dentro no duodeno e por aí abaixo, sempre faz "mossa".
Ah, e as Sakerinhas?? coisinhas nipónicas mais lindas ...o pior é contar até...dois depois...
Ainda bem que para isso existe o cafézinho. O bom do cafézinho...mas cafeína portuguesa. Com certeza.
Perfeito perfeito teria sido se aquela japonesa desprovida de qualquer poro de simpatia no corpo, não tivesse passado no exacto momento em que um rolo de sushi de salmão voou mesa fora. Os acidentes acontecem, não é mesmo?
E riu-se, a sacana.
Damn her.
Chopsticks eating instructions, needed. Or does a lobotomy fix the problem?
I need help here...
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