quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Dúvida(s)



Fotografia: Jorge Molder


"(...) Através da janela conseguiu vislumbrar a Lua, empoleirada ali sozinha, bem no cume da noite. O tom prateado do céu azul-escuro apresentava minúsculas partículas cor-de-rosa suspensas no meio das inaudíveis tempestades de luz. Se a ternura tivesse cor, então seria esta a cor da ternura. (...) Sentia uma ténue impaciência por cada momento que acontecia, não aquela avidez dilacerante, mas antes aquela certeza semi-inquieta de uma mãe à porta de uma escola, à espera do filho, que emergirá no meio da multidão. (...) Sentia o que era ser jovem. Sentia o que era a lua. As suas próprias orações e pensamentos eram coisas vivas que partilhavam o seu quarto (...) Não tinha a certeza que isto era amor. Pensou que o coração de cada um de nós devia doer um pouco sempre que se começava a sentir bem acerca de si mesmo".

Martin Amis, Os outros.

2 comentários:

Fernanda disse...

"Pensou que o coração de cada um de nós devia doer um pouco sempre que se começava a sentir bem acerca de si mesmo".

Sem dúvida...

Vanessa disse...

É uma frase extraordinária, não é?