domingo, 6 de julho de 2008

Nails are (all) of us...

Nails are (all) of us…

Hoje em dia fala-se muito dos avanços da tecnologia e da sua influência sobre os jovens e crianças. Adventos como a Internet, os jogos de computador e todos os demais gadgets como as consolas, playstations) etc, são considerados “papões” modernos que sugam dos cérebros das nossas crianças toda a possibilidade de livre raciocínio, criatividade ou imaginação.
Em grande parte concordo que a exposição (e uso) abusivos destes meios podem, de facto, constituir um entrave ao estímulo de capacidades como as já referidas à actividade a que, até agora, as crianças são especialistas: a de brincar.
As crianças hoje não brincam, simulam, não inventam, recriam, e sobretudo quando lhes é pedido para inventarem uma brincadeira, retraem-se. Não quero aqui tomar este facto como geral, há sempre excepções mas enquanto membro activo na comunidade pedagógica, cada vez mais considero que brincar é urgente, brincar é preciso!
Outra coisa que é necessária é deixar as crianças serem-no. Já sei que este discurso está gasto, foi amplamente debatido, no entanto, continua a fazer sentido.
Quando vejo crianças com seis anos com unhas e cabelos pintados, usando acessórios de uma adolescente de 16 anos, penso que aquela criança deve estar um pouco baralhada e que vem com uma década de antecipação. Esta é a geração da antecipação (passe a rima não propositada): nos adolescentes antecipa-se a idade adulta; aqui poderão dizer-me que já no “nosso” tempo era assim, que todos os jovens querem ser “grandes”. Correcto, a diferença é que queríamos mas não podíamos porque os nossos pais não nos deixavam (honra lhes seja feita). Nas crianças antecipa-se a adolescência e isto ainda me parece mais grave: ter um telemóvel aos seis anos, pintar as unhas ou o cabelo quando ainda a dentição conhece as primeiras baixas não me parece coerente. Estamos noutros tempos, é verdade, contudo e pelo o que testemunho, uma criança prefere sempre um chupa-chupa a um vale Fnac, e se lhe derem uma sala vazia durante duas horas, essa sala ao fim desse tempo não será a mesma, porque foi invadida de traquinice e brincadeira.
È preciso deixar que as bolas, elásticos e bonecas inundem de infância as nossas crianças. Deixemo-las brincar com mãos sujas de riso e de tanta apanhada. Só assim formaremos adultos saudáveis. Como diria João dos Santos “O segredo do homem é a sua infância”.

Vanessa Limpo.

In "Expresso SemMais", edição de 5 de Julho de 2008



3 comentários:

Samadhi: disse...

aqui também há crianças que só sabem brincar de jogos eletrônicos, perdem a chance de subir em árvores, rolar no chão, se divertir.

paulo disse...

hummm, metes-te com as nails e esqueces-te do meu desafio! tu bais ber!!!!

Xanoxa disse...

We were the world.... we were the children.. assusta pois... e notar um fio dental num rabito de 7 ou 8 anos em fato de treino para ir ter educação física?? pois... eu vi!